A PSICANÁLISE E A PSICOTERAPIA
Com Lacan fica evidente que a interpretação deve ir além “do que se diz”. O que cabe ser interpretado não são os ditos do sujeito, mas “o dizer”.
Para que fique bem claro a qual interpretação se está aqui referindo, talvez seja preciso diferenciar psicanálise de psicoterapia. Pode-se até afirmar que com a psicanálise se consegue efeitos terapêuticos, mas com finalidades bem distintas.
A psicoterapia tem como meta restaurar a “base abalada” do sujeito, restaurar seu ego. (...) Com a psicoterapia o sujeito conseguirá apenas que sua fantasia seja substituída por outra, o que permitirá que sua divisão e castração sejam acobertadas por novas fantasias carregadas de significações.
No texto L’Étourdit Lacan afirma que a psicanálise tem meta oposta à da psicoterapia. O objetivo da psicanálise não é eliminar a angústia, nem fortalecer o ego do sujeito, tampouco adaptar o sujeito à realidade. A psicanálise visa, justamente, que o sujeito se separe do objeto que sustentava sua “verdade” e com o qual tamponava a falta.
A análise busca que o sujeito investigue, no atravessamento ou na desconstrução de sua fantasia, o gozo e a inconsistência do Outro, distanciando-se da fantasia por ele construída, e que passe a conviver com o seu modo de gozo, conquistando, no final de sua análise, um saber sobre a verdade.
Trecho do texto "A Interpretação na Psicanálise Lacaniana", de Regina Cláudia Melges Puglia.

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